Enquanto fecho os olhos
correm as sombras por entre frestas.
O sabor do ócio, o viço da pele,
o encontro de um não saber
me faz perceber o quão pequeno
estou e sou diante do mundo.
Me perdi na distração de pequenos gestos
nas falhas e nos excessos.
É quando boto o pé no chão.
É quando enxergo que de fato não há razão.
Enquanto o silêncio restaura
escorrem lágrimas de um fracasso.
O pedir da mente, o brilho ausente,
os segredos que guardei pra te proteger me instrui, orienta e substitui me difere, me faz latente.
É quando boto o pé no chão.
É quando enxergo que de fato não há razão.
Algumas coisas já não servem,
outras já não cabem,
certas coisas se perderam,
outras foram levadas embora.
Algumas coisas eu não quis,
outras eu não pude,
certas coisas se apagaram,
outras foram levadas embora.
Hoje eu tenho a falta do que eu já tive.
Hoje eu tenho o que guardei.
Meus ponteiros não sabem
quanto tempo leva pra voltar a correr.
Algumas coisas estão presas, no que me resta.
Meus ponteiros já não sabem
se devem recomeçar!
Outrora é tempo de outro dia
E já não há como voltar.
Minha sorte é a consciência de que nada sei, de que os dias vão conforme a necessidade do tempo, de que o barco vai conforme o vento.
Ninguém conhece os caminhos por onde passei, só sabe do destino que agora me encontro, só sabe da frase que termina com ponto.
Reticências... Não sei do mundo! Não sei de verdades! Só sei da minha insignificância, da minha coragem em ter relevância, de fazer parte de algo que seja algo, por pequeno ou por maior... Eu faço parte!
Cerque-se de suas limitações, seus receios, suas definições,... Eu passarei ao lado