sexta-feira, 18 de abril de 2014

A mente cansa.
O corpo cansa.
A alma fere.

Diga, por favor.
Fale.
Verborrage.
Mas não cale seu silêncio
pra dizer conflitos
de gestos e falas sem sentido.

A mente cansa.
O corpo cansa.
A alma fere.

Confie, por favor.
Creia.
Mergulhe.
Lance mão de vestígios outros
pra ficar de pé
com foco e força na base.

Vá poetizar a vida menina!
Ela só dura o tempo do verso
e ele termina na estrofe.


quarta-feira, 12 de março de 2014

DIZ

Palavra. Verbo. Verso. Fala.
Que diz, que ouve, que presta.
Palavra. Verbo. Verso. Fala.
Que corre, que fica, que vira
Palavra. Verbo. Verso. Fala.
Que canta, que dança, que baila.
Palavra. Verbo. Verso. Fala.
Que chora, que ri, que sente.
Palavra. Verbo. Verso. Fala.
Que assola, que mora, que prende.
Palavra. Verbo. Verso. Fala.
Que vai, que solta, que vende.
Palavra. Verbo. Verso. Fala.
Que encara, que briga, que cala.
Palavra. Verbo. Verso. Fala.




domingo, 12 de janeiro de 2014

ERA

Era o medo de altura. Era a roupa de candura. Era a incerteza de saber qual o tamanho do tempo, até chegar a hora do presente. Era o relato do torto dente. Era deitar no chão e aceitar de bom grado a lambida do amigo canino. Era o pau no gato, hino. Era o prazer de tirar os grãos de areia do couro cabeludo. Era quando o maior desafio na vida estava numa partida de ludo. Era quando terminava o filme e a gente fazia de conta, de hollywood. Era e você correndo pela maior horta do mundo. Era a broa santa da Vó. Era difícil no cadarço dar nó. Era o desejo latente de ouvir o som dos irmãos no toca disco para todo o sempre. Era para todo o sempre... Era hora de morfar! Era hora de fazer do mundo um campo de sonhos. Era a neve que nunca vinha no meu natal. Era a ordenha do leite de vaca que enchia a vontade do menino. Era o tanto que cabia numa colher com cabo clown. Era a torcida para que ela fosse o meu par na quadrilha da escola. Era tudo resolvido se alguém tivesse uma bola. Era confuso compreender a aplicação correta das equações e dígrafos. Era eu, deslizando no tempo reverso da lua. Era o bairro inteiro no pique da rua. Era eu robô, espião e herói intergalático. Era o espontâneo abraço suado automático. Era eu, trepado na árvore, Tarzan. Era tudo pra amanhã ou depois, porque "agora é que tava ficando legal". Era querer ficar sem banho, normal. Era o traço riscando minha história. Era o lastro afetivo, memória. Era a coleção de coisas sem fim. Era a pureza da vida, assim.



Celebremos, pois. 28.



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

EXISTIR

Tem que existir poema,
pra alma não se sentir pequena.
Pra vida poder seguir
tem que existir rima,
pra que a alma ainda na surdina
entre na roda e dance.

Tem que existir 'duo ciranda',
pra rodarmos de mãos dadas.
Pra sentirmos o perigo de menino,
a adrenalina de viver perigosamente,
docemente, tocando os pés descalços
na terra, no chão, na vida.

Tem que existir olhares lastros,
que fincam propriedade.
Pra nos sabermos, apenas
e tão somente, pelo brilho da retina.
Pelo jeito de inclinar o crânio ou
pelo silêncio do verbo.

Tem que existir uma ponte em nós,
pra sermos elos, violoncelos.
Solistas de nossa própria história.
Plano de fundo do universo,
registro da fala em verso.
Vida cantante unida.

Tem que existir espaço, lugar
de afeto, de encontro, de fluxo.
Pra que a rua seja extensão do quintal,
pra que o lerê seja o nosso carnaval,
pra sermos motivo, pra termos encanto.
Suspiros que expliquem.


"Você vai rir, sem perceber
felicidade é só questão de ser..♫"
Feliz 2014 leitores do blog!


Parceria com Bia Teixeira



domingo, 24 de novembro de 2013

SEM QUESTÕES

Sem resposta,
com perguntas,
cem questões.

Feito vontade,
escolhi a intensidade
da forma como está,
do tamanho que é.

Não me interessa,
neste momento,
mudar o curso.

Apenas o trajeto
que introjeto
na sede de estar.

Não ultrapasse.
Não force.
Faço as minhas regras.


"Coisas que dizemos nas entrelinhas."

sábado, 23 de novembro de 2013

AINDA NÃO TEM

Nunca acerto a porta,
está sempre ocupado.
Quando desocupa
não quero entrar.

Metade do dobro
dentro do igual
desconcertante.
Dilema de vida.

Miro o céu no chão.
Vou, não indo.
Desejo, sem querer.
E vice-versa.

Aguardando a conexão
que permitirá assistir
o tempo em fullHD live stream.
ou simplesmente,
o encontro do verso que
completará todas as minhas rimas.

Tem, mais ainda não tem.
Não, obrigado. Disponha.
Bem vindo.



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

DESCULPAS

Devora-me, a memória e o tempo.
Vou colecionando dissabores
do relógio outro.
Me afeto pela imprecisão dos atos.

Quisera a constância da vida
na certeza de sempre estar presente,
mas vago no limbo frustração,
onde vez ou outra protagonizo dias gris.

Não pude, não deu, me esqueci.
Estava atento demais ao instante,
pena ele ser traiçoeiro e fugaz.
Não pude, não deu, me sucumbi.
Estava ocupado laçando segundos,
porém, segundos são indomáveis.
Desculpas, apenas.