domingo, 26 de outubro de 2014

SABO

De quando em vez
brinco de sonho.
De ao contrário
faço a trilha.
Eu sabo de todas as coisas
que cercam meu redor.
Eu sabo de todas as coisas
que escorrem no suor.

Que nem feito sol,
que nem feito caracol,
que nem canto de golfinho,
que nem-nem.

Só quando que não sei
é que fico sem saber,
mas só às vezes.
Às vezes eu penso e dispenso o vazio.
Às vezes imagino, floreio e fantasio...

Eu apenas desejo
uma tarde de pipa pra gente.
Eu apenas desejo
uma tarde de pipa pra gente!
Um sonho que a gente invente
cortando o céu!
Um sonho que a gente desvende
a voar no céu!
E subir! E subir!

De quando em vez
brinco de sonho.
De ao contrário
faço a trilha.
Eu sabo de todas as coisas
que cercam meu redor.
Eu sabo de todas as coisas
que escorrem no suor.

Um tantão de vida dentro,
uma porção de cata-vento,
um furacão que nem aguento,
que nem-nem.






domingo, 31 de agosto de 2014

VAMOS SIMBORA LÁ LAIÁ

Às vezes canso-me das pessoas
mas logo lembro-me
que o mundo é feito delas.
Então, busco restabelecer
as pontes, fontes de nosso contato.

Por razão ou por vontade
nada muda a relação,
o ponto em que se finca
o olhar firmado.

Podemos ir, se irmos.
Podemos rir, se rirmos.
Podes crer que pode-se!

Somos a vontade de ir
enquanto vamos.
Vamos simbora lá laiá!
Somos o desejo de ser
enquanto estamos.
Vamos simbora lá laiá!




sexta-feira, 1 de agosto de 2014

APENAS POR AGORA

Da fresta que se abre
na parede da dor
ecoa o sorriso mais forte.

Do risco feito no chão,
da gente reunida em volta
entoa a mais linda canção.

E ainda cabe o sofrer.
E ainda escorre.

Coisas surgem, coisas vão
Mas coisas não anunciam a direção
Partem sem destino
viajam na imensidão
Não há o que se crer.
É o que há enquanto tem.
Apenas por agora.



sexta-feira, 11 de julho de 2014

SIGO

Há o que há entre o horizonte...
Todo lado tem o seu.
Toda alma tem um lastro.
Todo passo roda a vida
no canto que se perdeu.

Há o que há entre o verbo...
Nenhum mito vira moda,
Nenhum gozo vira foda,
Nenhum fardo vira brisa
no canto que se verteu.

Braços curtos não cercam o mundo
apesar da vontade, apesar de você.
Panoramicidade não muda labuta.
Poesia de rua não enche barriga.

Mas sigo no intento,
no lamento da dor de seguir.




domingo, 1 de junho de 2014

ANTES

De quando nada sabemos sobre a vida.
De sobre memórias e atos falhos.
Antes ontem do que amanhã, nunca.

De meio de ir, quando volta.
De como sair, quando vem.
Da vida que volta agora
Do destino incerto, porém.

De quando se aperta a dor.
De ora up, ora down.
De Marisa a Charilie brown.
Antes ontem do que amanhã, nunca.




sexta-feira, 25 de abril de 2014

SEU

Seu seduzente silêncio
de olhar de canto
como quem diz tudo
no calar dos sons.

Sua franja pueril
de menina mulher
assim como se quer
deitar os sonhos.

Seu espontâneo pensar
que vira do avesso
qualquer recomeço
que possa voltar.

Ela tem. As coisas.
Eu. Ela tem.
Ela tem. O jeito.
Eu. Ela tem.
Ela tem. O eu.
Eu. Ela tem.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

A mente cansa.
O corpo cansa.
A alma fere.

Diga, por favor.
Fale.
Verborrage.
Mas não cale seu silêncio
pra dizer conflitos
de gestos e falas sem sentido.

A mente cansa.
O corpo cansa.
A alma fere.

Confie, por favor.
Creia.
Mergulhe.
Lance mão de vestígios outros
pra ficar de pé
com foco e força na base.

Vá poetizar a vida menina!
Ela só dura o tempo do verso
e ele termina na estrofe.