sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

SEM DIREÇÃO

Vento roda a vida
faz o peito em paixão,
lastro de amor e flor.

Tento no tormento
desvendar o sabor,
de versos quando no verão.

O que há enquanto há,
para o cerne despertar?
O que há em seu olhar?

Rastro que trilhei
por sobre o caminhar,
brilho do seguir e ir.

Força que cativo
pelo jeito a mirar
os olhos quando no fruir.

O que há enquanto há,
para o cerne despertar?
O que há em seu olhar?

...Dúbio feito o encruzilhar
Solto feito o flamejar.
Solto feito versos ao chão, sem direção.



14/09/2014

(Ciro Belluci/Hilreli Alves)


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

É UM SEGUNDO

A vida é um segundo,
contemple o fluir da brisa.
Sinta o afago do carinho dado.
Abrace, sem cerimônia.
Permita-se estar, ser.
Deposite na verdade das palavras
o intento, o desejo, o incômodo.
Diga. Fale. Ouça!
Aceite a condição de ser pequeno
diante a imensidão do mundo.
Aceite a condição de ser gigante
diante os pequeninos gestos.
Dance a canção que te toque, puramente.
Seja gentil na entrega.
Seja intenso na troca.
Cante aos quatro ventos.
Teça a vontade do seguir.
E, acima de tudo,
faça colorido, brinque!
Criantize a vida!




Os leitores do blog
Um feliz 2015!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

DA FLUIDEZ


Há que se ter fluido
ao que vai, indo.
Ao que vem pelo pleno desejo de vir.
Ao que é pelo pleno intento de ser.
Ao que mira pelo pleno estado de foco.
Sigam juntas mentes sensas, sintônicas e leves.
Careço de almas envoltas, não em volta.
Cantem-me manhãs!
Invadam-me de luz!
Preencham meus poros latentes.
Que a noite mergulhe apenas em sonhos profundos.
Tenham-me do novo que vem.
Façam-me do velho que foi.
O mundo é mundo e sou apenas um menino.
Daquele que pare as dores.
Daquele que cessa as cores.
Daquele que ele enquanto criança,
enquanto vontade, enquanto verdade não sabida.
Vontade de quando ouve,
de quando vê, de quando sente.
Todo caminho é trilha quando há chegada.
Todo verbo é puro quando especular.
Todo laço acaba, quando terminar.






domingo, 26 de outubro de 2014

SABO

De quando em vez
brinco de sonho.
De ao contrário
faço a trilha.
Eu sabo de todas as coisas
que cercam meu redor.
Eu sabo de todas as coisas
que escorrem no suor.

Que nem feito sol,
que nem feito caracol,
que nem canto de golfinho,
que nem-nem.

Só quando que não sei
é que fico sem saber,
mas só às vezes.
Às vezes eu penso e dispenso o vazio.
Às vezes imagino, floreio e fantasio...

Eu apenas desejo
uma tarde de pipa pra gente.
Eu apenas desejo
uma tarde de pipa pra gente!
Um sonho que a gente invente
cortando o céu!
Um sonho que a gente desvende
a voar no céu!
E subir! E subir!

De quando em vez
brinco de sonho.
De ao contrário
faço a trilha.
Eu sabo de todas as coisas
que cercam meu redor.
Eu sabo de todas as coisas
que escorrem no suor.

Um tantão de vida dentro,
uma porção de cata-vento,
um furacão que nem aguento,
que nem-nem.






domingo, 31 de agosto de 2014

VAMOS SIMBORA LÁ LAIÁ

Às vezes canso-me das pessoas
mas logo lembro-me
que o mundo é feito delas.
Então, busco restabelecer
as pontes, fontes de nosso contato.

Por razão ou por vontade
nada muda a relação,
o ponto em que se finca
o olhar firmado.

Podemos ir, se irmos.
Podemos rir, se rirmos.
Podes crer que pode-se!

Somos a vontade de ir
enquanto vamos.
Vamos simbora lá laiá!
Somos o desejo de ser
enquanto estamos.
Vamos simbora lá laiá!




sexta-feira, 1 de agosto de 2014

APENAS POR AGORA

Da fresta que se abre
na parede da dor
ecoa o sorriso mais forte.

Do risco feito no chão,
da gente reunida em volta
entoa a mais linda canção.

E ainda cabe o sofrer.
E ainda escorre.

Coisas surgem, coisas vão
Mas coisas não anunciam a direção
Partem sem destino
viajam na imensidão
Não há o que se crer.
É o que há enquanto tem.
Apenas por agora.



sexta-feira, 11 de julho de 2014

SIGO

Há o que há entre o horizonte...
Todo lado tem o seu.
Toda alma tem um lastro.
Todo passo roda a vida
no canto que se perdeu.

Há o que há entre o verbo...
Nenhum mito vira moda,
Nenhum gozo vira foda,
Nenhum fardo vira brisa
no canto que se verteu.

Braços curtos não cercam o mundo
apesar da vontade, apesar de você.
Panoramicidade não muda labuta.
Poesia de rua não enche barriga.

Mas sigo no intento,
no lamento da dor de seguir.